sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Intertextualidades: As meninas do regador.

“Intertextualidade é como que a sobreposição de um texto literário a outro, ou a influência de um texto sobre outro que o toma como modelo ou ponto de partida, e que, às vezes, provoca uma certa actualização ou modernização do primeiro texto. Pode-se notar isso no livro Mensagem, de Fernando Pessoa, que retoma, por exemplo, com seu poema “O Monstrengo” o episódio do Gigante Adamastor de Os Lusíadas de Camões. Ocorre como que um diálogo, uma interacção entre os dois textos.“


In http://pt.wikipedia.org/wiki/Intertextualidade



Uma vez que a intertextualidade (atenção à distinção necessária entre intertextualidade e plágio!) não acontece apenas entre textos literários mas se refere a “texto” no sentido lato do termo, isto é, como um conjunto de signos (verbais ou não verbais) organizados para transmitir uma mensagem, ela pode acontecer entre textos de signos diferentes, entre texto e imagem, ou entre duas imagens.





“(...)O quadro do pintor barroco italiano Caravaggio e a fotografia da americana Cindy Sherman, na qual quem posa é ela mesma. O quadro de Caravaggio foi pintado no final do século XVI, já o trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido quase quatrocentos anos depois do quadro. Na foto, ela recria o mesmo ambiente e a mesma atmosfera sensual da pintura, reunindo um conjunto de elementos: a coroa de flores na cabeça, o contraste entre claro e o escuro, a sensualidade do ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do quadro de Caravaggio. Aquela, explícita e intencionalmente, cita este ao manter quase todos os elementos do quadro original.”


In http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno09-02.html



A intertextualidade é inclusivamente utilizada como recurso na publicidade.




Em termos de Ilustração Infantil, encontrei uma relação intertextual entre duas belas ilustrações de dois artistas plásticos portugueses de que já aqui falei: Carla Antunes e Júlio Vanzeler. A primeira tem como técnica sobretudo a tinta da china e lápis de cor sobre papel aguarela, enquanto o segundo recorre aos meios digitais, nomeadamente ao Photoshop, para criar as suas composições. Cada um tem o seu traço, o seu estilo característico e inconfundível.

Aqui está o mesmo motivo por estes dois artistas distintos. Eu chamo-lhes “as meninas do regador”.


Carla Antunes, num estilo sempre delicado, infantil, ingénuo e feliz. As cores sempre vivas a sorrirem.


Júlio Vanzeler mostra personagens femininas de uma beleza delicada mas mais crescida e sobretudo mais triste. Os olhos grandes, húmidos, tristes. Como se fossem chover. Uma imagem poética.

São as duas lindas!

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